2009年1月20日 星期二

Santos busca recursos para corrigir prédios

São 100 edifícios tortos, a maioria na orla, com 10 mil moradores

FÁBIO MAZZITELLI, fabio.mazzitelli@grupoestado.com.br

Após quatro anos do lançamento do programa que pretendia monitorar os prédios tortos de Santos, a prefeitura da cidade admite que o projeto ainda não decolou e, para isso, quer reformulá-lo na tentativa de viabilizar o financiamento para corrigir os edifícios em desaprumo, a maioria deles concentrada na orla da praia.

Nas estimativas do secretário de obras de Santos, Antônio Carlos Silva Gonçalves, feitas a partir de dados levantados no início da década, os números podem chegar a mais de 100 edifícios tortos, totalizando cerca de 10 mil moradores - Santos tem 420 mil habitantes. “É um levantamento para juntar todos os casos e mostrar o problema para um agente financeiro e para os governos federal e estadual. A gente precisa ter um apelo para criar uma linha de crédito”, diz o secretário, que entrou no 13º ano no cargo e esteve à frente da tentativa anterior de monitoramento do desaprumo.

“Antes, estagiários fariam a medição do grau de inclinação, o que será feito agora por técnicos da prefeitura. Ao final desse estudo, o que pode acontecer é detectarmos que um prédio está num risco iminente e, se isso acontecer, pedir para evacuar. Mas a responsabilidade de acompanhar (a inclinação) é sempre dos proprietários dos imóveis particulares.”

Uma lei municipal de 2001 obriga os prédios a elaborarem periodicamente laudos técnicos de vistoria. Na mesma época, estudo coordenado pela professora Heloisa Helena Gonçalves, da USP, constatou que o recalque (movimentação) dos prédios santistas mais desalinhados é contínuo e de velocidade constante, o que leva à pergunta óbvia: um dia um desses edifícios vai cair?

“Vai, mas que dia, não sei. Depende da característica de cada prédio. A gente calcula uma vida útil, sempre de modo conservador”, diz Carlos Maffei, professor da USP que liderou projeto que pôs no prumo o edifício santista Nuncio Malzoni, entre o final dos anos 1990 e o início desta década.

Chamado a avaliar outros prédios de Santos, Maffei calculou a vida útil de cerca de 20 edifícios tortos. O desaprumo de alguns chegava perto de dois metros.

“Eu falava em 12 a 14 anos de vida útil”, diz Maffei, admitindo que já se passou mais da metade desse tempo. “Mas não quer dizer que, quando se chegar a esse instante calculado, vai cair. Quer dizer só que antes disso não cai.”

O desaprumo dos prédios santistas tem a ver com o tipo de solo e de fundação das construções. Dos anos 1950 a 1970, período em que nasceram os edifícios hoje desalinhados, os engenheiros utilizaram fundações rasas para prédios de dez ou mais andares, técnica hoje praticamente descartada.

O solo de Santos é formado por uma camada de areia densa seguida de sedimento marinho. Há quatro meses, a construção de um edifício com três subsolos no Gonzaga danificou a estrutura de um prédio vizinho. Moradores foram desalojados. “Estudamos uma lei que limite as novas obras em só dois subsolos”, diz o secretário de obras Antônio Carlos Gonçalves.

Nos prédios tortos, já bastante desvalorizados, a regra é evitar mais prejuízos. Vizinho de uma construção recém-iniciada, na orla, o Edifício Maembi foi à Justiça.

“A ação cautelar é para um eventual prejuízo. Depois que acontece, se não estivermos documentados, não dá para provar”, diz o advogado Luiz Fernando Costa Ortiz, morador do sétimo andar do Maembi. “Nivelei o piso do meu apartamento e já acostumei com a inclinação. A grande preocupação é com a segurança”, diz.

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